Após fenômeno natural, estrutura de emissário submarino fica exposta na Praia de Ipanema

De acordo com especialista, deslocamento de areia é causa de aparecimento

RIO — O aparecimento de parte da tubulação do emissário submarino mudou a paisagem da Praia de Ipanema nos últimos dias. Neste domingo, a estrutura foi atração para os banhistas que aproveitavam o domingo de sol. De acordo com o oceanógrafo David Zee, a tubulação — que deveria estar sob a areia — aparece em casos de ressacas muito fortes. Mas, desta vez, a causa é outra.

— O movimento do mar está levando a areia do lado esquerdo para o lado direito da praia, em direção ao Leblon. Isso é um fenômeno. Como o emissário está logo no trecho inicial, acaba ficando exposto — explica ele, ressaltando que outra consequência é a redução da faixa de areia do Arpoador.

MUDANÇAS A PARTIR DE MARÇO

Ele afirma que o movimento contrário, e o consequente equilíbrio da praia, só deve acontecer por volta de março do ano que vem.

— Será na época do outono, quando há o retorno da entrada do vento sudoeste, que vai levar a areia do lado direito para o esquerdo. Enquanto isso, temos pela frente mais seis meses para ficarmos em alerta — diz ele, que se mostra preocupado porque a exposição desta parte do emissário possa trazer algum tipo de dano à estrutura. — É importante que sejam feitas manutenções preventivas, para evitar riscos de vazamento de esgoto, como já aconteceu há alguns anos.

O emissário, que leva esgoto de parte de Zona Sul para alto-mar, tem 4.325 metros de extensão e 2,4m de diâmetro.

Moradora de Ipanema há cinco anos, a administradora Odila Nunes, de 74 anos, vê com uma certa apreensão a exposição de parte da tubulação do emissário.

— Confesso que aquele bloco de cimento gigantesco me assusta um pouco. Acho perigoso. Seria importante se houvesse, pelo menos, um aviso aos banhistas.

Já para Mariana Dias, de 49 anos, outra moradora, o emissário é sempre motivo de desconfiança. Ela acha que os banhistas devem ficar atentos à estrutura e deveriam cobrar providências das autoridades.

— O meu medo de contaminação pelo esgoto é gigantesco. Vivo em Ipanema a minha vida toda e não há nada mais emblemático do que essa praia maravilhosa. Temo pela saúde da minha família. Por isso, acho fundamental que os moradores fiquem antenados com o que acontece na região e cobrem quando for necessário — disse.

Procurada, a Cedae afirmou que o fato de o emissário ficar exposto não configura risco algum para a sua estrutura. E acrescentou que, como se trata de uma questão sazonal, que envolve maré, corrente e vento, todos todos os riscos já haviam sido calculados. A empresa informou ainda que os técnicos fazem a manutenção regular da instalação.

Fonte: O Globo

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